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Indiferença
Guilherme de Almeida
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!
TARDA QUE O DIA VAI CURTO
Tarda!
Porque o dia vai curto,
Como a simples alegria
De te amar eternamente
E sem querer,
Encurto,
A excelsa ousadia
Deste momento breve e curto.
Sorri!
Para o tempo recuar,
Como o pudesse algum dia,
O nosso passado mudar,
Pois bem cedo eu podia
Crescer e me entregar.
Pois!
Nos caminhos infelizes
Longa é a vida que se adia,
E breves os caminhos felizes;
Tão curtos, como a simples alegria
E breves, como as nossas raízes.
Tarda!
Espera ao menos que o tempo tarde
Como esta breve fantasia,
E que Deus aos dois nos guarde,
Qual pedaço de magia,
Numa chama que não se apague.
E se a sigma não findar
Como este momento de Poesia
Virás, novamente, para cantar,
Os poemas que te fiz e faria,
Para eternamente te amar.
Rogério Simões
10-01-2004